Até onde poderá chegar o digital? E o offset?

Estas são as perguntas que todo o mundo gráfico faz. Sim, até onde poderá chegar o digital na sua caminhada em direcção ao futuro, e até onde conseguirá o offset manter o seu papel de sistema omnipresente, numa era em que novos desenvolvimentos na tecnologia de impressão digital despontam, perspectivando poderem vir a marcar terreno em áreas até agora dominadas pelo offset.

 
Com efeito, a tecnologia digital começa a dar os primeiros passos há cerca de trinta anos, tornando-se num slogan quotidiano, difundido pelas multinacionais americanas, japonesas e europeias, geradoras do produto, no sentido da sua introdução no mercado comercial da pequena tiragem. Tratava-se de um sistema inteiramente novo, para tiragens reduzidas de produtos impressos individualizados ou personalizados, que foi despertando o interesse do mercado. No entanto, grande parte da euforia inicial foi arrefecida pelos limites da própria tecnologia e pela sua inadequação para a produção de produtos gráficos, quer em quantidade, quer em qualidade.
Lenta, mas crescentemente foi confirmando a sua presença no mercado, sendo actualmente, não apenas um sistema complementar para tiragens reduzidas, mas uma fonte de competição a esboçar uma mudança de paradigma em algumas das suas vertentes, como, por exemplo, a impressão a jacto de tinta ou a nanografia, tecnologias que encontraram aliados estratégicos nos fabricantes de equipamentos de offset, que emparceiraram em projectos conjuntos no seu aperfeiçoamento. Um novo horizonte fica, assim, aberto para o desenvolvimento de novos meios, métodos e soluções, como já foi visível na última Drupa. No entanto, na minha perspectiva, ainda longe de constituírem uma resposta eficaz e efectiva para a impressão de produções industriais com a qualidade e eficiência económica do offset.
 
Em relação ao offset, nestes últimos trinta anos verificaram-se avanços particularmente importantes, que reduziram a quase nada os passos do processo de impressão. Uma revolucionária reconfiguração tecnológica, com uma grande componente digital, abriu caminho para a optimização de todo o processo de impressão e, por consequência, a uma dimensão de qualidade e produtividade nunca antes alcançada. 18.000 impressões/h frente ou frente-e-verso; condução de uma máquina de 2-4-6-8-10 ou 12 cores ao toque de um botão, por um único operador; mudança de chapas inteiramente automática; mudanças de trabalho em 3-5 minutos; verniz IR ou UV e foilstar em linha; etc.. Tudo isto e muito mais tornam o sistema offset o eleito para a impressão de pequenas, médias e grandes tiragens, com elevada qualidade e produtividade, e o garante de vendas da indústria gráfica, a deixar longe de vista os restantes sistemas concorrentes.
 
Na última Drupa, face à significativa penetração de empresas produtoras de equipamentos digitais, estivemos perante uma digitalomania obedecendo à lógica de expansão do produto, que actualmente se situa à volta de 15% de toda a impressão.
Com o apoio activo e força competitiva das suas empresas multinacionais, agressivas na sua teoria, cegas na sua abordagem e sectárias nas suas avaliações e julgamentos, é natural que em termos ofensivos comerciais, a penetração da tecnologia digital, em algumas áreas do mercado, possa ocorrer mais rapidamente do que no passado. No entanto, embora alguns dos conceitos digitais tenham criado alguma expectativa, levanta-se a seguinte questão: constituirão o melhor instrumento para enfrentar, a nível industrial e comercial, a competitividade de outros sistemas já implantados, consolidados e comprovadamente competitivos?
Nos próximos 10 ou 20 anos, offset ou digital? Só o maior desenvolvimento tecnológico de um ou outro sistema poderá garantir a sua liderança. Para já, a pergunta que se coloca é quando (ou se) alguma vez ocorrerá o ponto de encontro entre ambos os sistemas.
Actualmente, o mundo industrializado já não tem o monopólio do saber, porque este move-se com total liberdade, obrigando as empresas a uma constante busca por elementos diferenciadores, que hão-de surgir sempre, seja na área digital, seja na área offset, sistema este que ainda joga com todos os trunfos na mão para destrunfar.
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